14 de julho de 2014

A cultura da escassez

Em A coragem de ser imperfeito, a autora Brené Brown nos chama a atenção para o que ela define como cultura da escassez.

A cultura da escassez seria o contexto no qual nós nos encontramos hoje. A mensagem que recebemos diariamente vinda da sociedade na qual vivemos é de que nunca somos alguma coisa o bastante. Este alguma coisa pode ser bom, perfeito, magro, bem-sucedido, inteligente, seguro, etc. Carregamos constantemente a sensação de não sermos ou termos o suficiente.

Brené cita uma outra autora, chamada Lynne Twist, que nos alerta para o fato de já ao acordarmos pela manhã pensarmos que não dormimos o bastante - ou, no meu caso, que não acordei cedo o bastante. E este pensamento de não suficiência também está presente antes de dormir, quando começamos a repassar tudo o que não fizemos naquele dia.

Nem todo o mundo vai se identificar com este comportamento, mas eu me identifico sim. Estou sempre completando a frase "Não sou ________ o bastante".

A comparação é algo muito presente na cultura da escassez. E sobre isso Brené continua: "...quase sempre, comparamos nossa vida, nosso casamento, nossa família e nosso trabalho com a visão de perfeição inatingível propagada pela mídia, ou então comparamos nossa realidade com a visão ficcional de quanto alguém próximo de nós já conquistou." Gostei muito disto aqui: "A nostalgia do passado também é uma forma perigosa de comparação. Repare com que frequência você compara a sua vida atual com uma lembrança de bem-estar que a nostalgia editou em sua mente, mas que nunca existiu de verdade."

E ao contrário do que poderíamos pensar, o oposto de escassez não é excesso, e sim, suficiente.

Concordo que somos bombardeados todos os dias com mensagens que buscam nos convencer de que não somos o suficiente. E algumas destas mensagens nem vêm da mídia, vêm de pessoas bem próximas a nós, como familiares e amigos. Mas o diálogo tem que ser interno, da gente com a gente mesmo. Precisamos olhar pra dentro de nós e dizer: "está bom sim, estou feliz com quem sou até o momento; eu sou suficiente pra mim e pra minha vida".

Pra terminar, mais uma citação de Brené: "Os elementos mais raros em uma sociedade da escassez são a disposição para assumir nossa vulnerabilidade e a capacidade de abraçar o mundo a partir da autovalorização e do merecimento."

2 comentários:

  1. Oi, Lis!

    Seu post fala muito sobre um sentimento constante que eu tenho na relação Eu x Os Outros. Digo isso no sentindo de eu sei que eu viveria melhor meu dia a dia se as pessoas que fazem parte da minha vida não me cobrassem taaanto ser uma versão melhor de mim mesma, sabe? Eu quero ser uma pessoa melhor, mas a cobrança me faz mal - e não adianta dizer isso a elas.
    Tipo: eu estou acima do peso e, mesmo que isso não seja bonito ou lá muito saudável, eu me aceito e me amo de qualquer jeito. Mas as pessoas, não. E a rejeição que elas provocam me faz sentir triste e menos valorizada - o que me faz comer mais...
    Elas me comparam com eu mesma no passado mais magra... e isso me massacra. O pior é que parece que não tem solução: se melhoramos de um lado, sempre vai ter algo em nós que as pessoas, mesmo as mais próximas, vão repetir incansavelmente que não estamos *boas o suficiente*.
    Tenho adotado a postura de, ao ouvir essas reclamações sobre mim, apontar de volta as dificuldades que os outros também estão passando, pois, muitas vezes, elas não gostam em nós o que elas abominam nelas mesmas... Mas, no fundo, não gosto de fazer isso, apesar de funcionar que é uma beleza.
    Por essas e por outras, tenho preferido silenciar um pouco a voz dos outros ou pelo menos filtrá-la... e passar a me ouvir mais, a minha voz que andou abafada por tanto tempo.
    Beijoooos,
    M.
    CaseiComOMundo.blogspot.com.br

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    1. Oi, M. É isso mesmo. Como as pessoas são exigentes conosco, não é? Parece que nunca estão satisfeitas, que não nos aceitam como somos. Estão sempre fazendo comparações. Isto é irritante. Isto faz mal. E é a gente quem tem que se impor, que se colocar e pôr limites.

      Obrigada pela visita e pelo cometário. Beijos!

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