10 de junho de 2014

O Homem na Arena - Ousando grandemente

Entre março e abril deste ano, li um livro que gostei muito e até já o mencionei aqui no blog, se chama A coragem de ser imperfeito, da psicóloga e pesquisadora Brené Brown.

Este mês, estou revisitando algumas partes do livro, pois este é o tipo de livro que merece mais que uma leitura comum; ele requer reflexão, para que suas mensagens sejam processadas e absorvidas. E pensei em fazer este processo aqui, no Apenas um lugar para ser. :)

Brené começa o livro com a citação de um trecho do discurso "Cidadania em uma República" (ou "O Homem na Arena"), proferido na Sorbonne por Theodore Roosevelt, em 23 de abril de 1910. Diz assim:

"Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente; que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente."

Antes desta, outra citação também me tocou. Ela foi proferida com coragem e veemência pelo personagem Temístocles no filme 300 - A Ascensão do Império, e diz:

"Que fique demonstrado que escolhemos morrer de pé a viver de joelhos!"

Quando ouvi isto, pensei: "Uau! Este Temístocles é o cara!" Temístocles preferiu seguir em menor número para uma batalha, onde teria pouquíssimas chances de vencer, a viver como escravo de seus inimigos.

Achei ambas citações muito inspiradoras. A segunda me inspira a não abaixar a cabeça diante dos meus medos e inseguranças; e a primeira me faz dar mais valor as minhas batalhas, ao homem na arena da vida, no caso, eu.

Sou uma pessoa muito perfeccionista, e assim sendo, não fico satisfeita apenas com as vitórias; a forma como lutei também é importante. Ou seja, exigente como sou, não vale apenas ganhar, tenho que ganhar lindamente. E como fracassar está fora de questão, faço o que diz Brené, espero até estar à prova de bala ou perfeita para entrar em jogo. Ela complementa: "Ser 'perfeito' e 'à prova de bala' são conceitos bastante sedutores, mas que não existem na realidade humana."

A citação dO Homem na Arena me fez lançar outra perspectiva sobre mim e sobre minha vida. Entendi, finalmente, aquele velho ditado "o importante é competir". Porque estar na arena é, por si só, um ato de coragem; e é isto que realmente conta; estar lá, estar exposto à incerteza e ao desconhecido. Isto é grandioso.

Lembro-me de algumas arenas que já entrei: confessar meus sentimentos sem saber se eram correspondidos; cuidar da minha mãe aos 18 anos quando ela teve câncer de mama; a primeira aula de espanhol que dei com apenas 19 anos; ter saído de casa; ter entrado sozinha num avião rumo a Europa; e tantas outras. Não importa o medo que senti, não importa se fiquei nervosa ou ansiosa, não importa se duvidei. O que importa é que eu estava lá, por inteiro, com o rosto sujo e manchado, lutando bravamente, entregue a uma causa digna.

E apesar de ter sido o homem na arena muitas vezes; outras tantas, me coloquei no lugar do crítico, analisando minhas batalhas e apontando onde tropecei e o que poderia ter feito melhor. Mas já não quero mais fazer este papel. Quero receber o crédito que é meu, reconhecendo que não há esforço sem erros e decepções.

Tudo muda quando se percebe que não é o resultado que importa, mas sim o ato nobre de ter se empenhado. Porque se houver triunfo, ótimo! Mas se houver fracasso, ao menos se fracassou ousando grandemente. :)

4 comentários:

  1. Olá, Lis, tudo bem? ^^

    Muito inspirador o seu post. Adorei o modo como vc escreveu e como refletiu sobre a questão. Eu tb não quero mais fazer o papel de crítica da minha própria vida, mas, muitas vezes, parece inevitável, pro meu crescimento. O desafio é se fazer críticas construtivas com análises justas... e nem sempre é assim que a coisa toda acontece comigo, rs!
    Um grande beijo!
    M.
    CaseiComOMundo.blogspot.com.br

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    1. Oi, M. Gostei da sua colocação. É verdade, um pouco de autocrítica é essencial para o nosso crescimento. :) Beijos!

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  2. Para estar na arena, a palavra é merecimento. Merecer estar lá, mais do que qualquer um.

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    1. Estar na arena já é uma ato de coragem e uma demonstração de merecimento, não é mesmo? :) Obrigada pela visita! ;)

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