29 de abril de 2012

Morar longe da família

É feriado e estou passando uns dias na minha cidade com minha família. Faço questão de usar os possessivos porque é assim que me sinto: no meu lugar e com os meus. É uma sensação aconchegante esta.

Estou feliz, mas com uma pontinha de tristeza no coração, pois daqui a dois dias estarei voltando para Salvador. Esta pontinha triste só aparecia no dia da partida, mas desta vez veio antes, e me pego várias vezes segurando o choro.

Não é que aqui seja o lugar onde sonho passar o resto da vida, na verdade, sempre sonhei com uma vida bem longe daqui, em outro país. Mas esta sensação gostosa de aconchego me deixa dividida. Eu penso que não terei os meus pais pra sempre, não deveria aproveitar ao máximo a companhia deles enquanto estiverem aqui? Isto não seria possível se eu estivesse morando em outro país, por exemplo. Dada a nossa condição financeira, acho que não conseguiríamos nos ver mais de uma vez por ano, o que parece pouco na minha opinião.

Apesar de pequena, de ter apenas um shopping, um cinema e nenhuma livraria, minha cidade ganha em muitos aspectos se comparada a Salvador. Tem um trânsito tranquilo, um custo de vida muito mais baixo, nada fica realmente longe, as pessoas são gentis, fica a menos de uma hora e meia da capital, que tem lindas praias.

Minha mãe é uma querida. Me cobre de carinho e presentes. Como eu a queria sempre por perto. Indo a minha casa, me ajudando com a decoração, a conseguir uma faxineira, essas coisas...

Aqui também tenho meus ex-colegas de trabalho, meus ex-alunos, pessoas com quem me encontro e se mostram felizes de verdade em me ver. Aqui eu me sinto querida.

Tudo aqui é tão mais fácil...

Meu esposo também gosta mais daqui. Mas por causa da carreira dele, estamos em Salvador.

Nós temos planos de morar fora do país. Estes planos seriam para daqui uns dois anos mais ou menos. Mas eu confesso que fico bem confusa se é isso mesmo que eu quero. Diminuir para muito menos a convivência que tenho com a minha família agora - atualmente os vejo a cada 3 meses, em troca de viver num lugar 'melhor', vamos resumir desta forma.

Fico pensando se o fato de você adorar o lugar que você mora, compensa a distância da família, o que não acontece comigo hoje.

Mas ainda me pergunto se é uma escolha acertada, uma escolha da qual não irei me arrepender no futuro, quando meus pais não estiverem mais aqui e eu pensar em todos os anos que eu, de certa forma, escolhi viver longe deles.

Update: Como este post recebe várias visualizações, decidi atualizá-lo. Dois anos se passaram desde que o escrevi. Hoje estou bem mais adaptada a distância entre mim e minha família. Procuro focar no lado positivo desta experiência. Perdemos a convivência diária, mas ganhamos um tempo de mais qualidade, pois a presença é mais valorizada. Percebi que pude amadurecer ao sair das asas protetoras da minha mãe, eu precisava disso. Hoje me sinto mais preparada para, quem sabe, morar ainda mais longe. Penso que o tipo de relacionamento que temos com a nossa família é mais importante que a frequência com a qual a vemos, e às vezes a distância é preciso para entendermos como é esta relação e como ela nos afeta. (Atualizado em 21.04.14)

9 comentários:

  1. É gostoso matar aquela saudade nas visitas, bom é por as novidades em dia, lembrar da pessoa e se perguntar O QUE SERÁ QUE ELA ESTÁ FAZENDO AGORA?

    Bom é matar a saudade da comida, do cheio, do ritmo e tudo que faz balançar nossos corações.

    Claro que não precisamos fazer esforços para sentir saudades e coisa e tal. Mais pense somente no lado bom da coisa. rs.

    Comigo é a mesma coisa.
    Sai do Brasil, somente eu, marido e filhas.
    E aqui estamos fazendo nosso caminho, experimentando coisas novas, conhecendo novas pessoas e lugares.
    E me empolgando para o retorno... Para matar aquela saudade!

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    1. Oi Maysa, obg pela visita e pelas palavras, vou tentar lembrar do que vc falou. Vou visitar seu blog para te conhecer melhor. Bjs!

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  2. querida, eu tbm ja fui e voltei varias vezes para longe do meu ninho e te digo que nunca, nunca mesmo valeu a ena por nada. só perdi. apesar de convivencia em familia nem sempre ser essamaravilha toda, escilhi que agora nao aredo mais o pé daqui onde encontro conhecidos em cada loja, em cada padaria em cada ponto de onibus etc. as vezes isso ate é ruim pq vc sabe que sempre sabem da sua vida e comentam, mas estou feliz assim. situaçao financeira melhor a que preço? perder osmelhores momentos? esquece! eu escolhi voltar. bjus e boa sorte

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    1. Oi Sandra, obg por deixar aq a sua opinião. Eu ainda tenho dúvidas sobre oq fazer, mas sei q o nosso lugar é aquele onde nos sentimos felizes. Desejo td de bom pra vc. Bjs!

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  3. Oi Lis, é complicada essa questão de sair do ninho. Esse foi um dos meus motivos que me prendem para alçar voos maiores: aparece um concurso com salário maior, mas num capital, eu logo penso que vou gastar mais e ficar longe de tudo que conheço, e aí vou ficando... Não sou, como vc pode perceber, a melhor pessoa para te aconselhar rsrs O bom é que, como o plano de vcs é a um prazo relativamente longo, vc tem tempo para pesar todas as possibilidades com carinho, e escolher o que melhor seu coração aceitar! Boa sexta feira, e fica bem! P.s: Lembra que falamos de Buenos Aires? Eu tenho pânico de aeroporto (sou caipira, admito) e de não saber como agir, o que fazer, de me perder... assim, resolvi fazer um cruzeiro para me testar! O que você acha? Vamos? rsrrss

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    1. Oi Mayara, obg por compartilhar oq pensa e como se sente. Olha, qto ao seu medo de aeroporto, não se preocupa não. Eu viajei de avião pela primeira vez em 2009, não tive medo, nem do aeroporto, nem de voar. É td mto tranquilo. Fiz uma viagem super mega rápida de 20min e gostei. :) No aeroporto tem pessoas de uniforme, placas e letreiros por td lado, é super fácil. Vc vai fazer o cruzeiro sozinha? Eu ainda tenho medo de viajar sozinha... Bjão!

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  4. Lis, compartilho, exatamente, dos seus sentimentos. Sou mineira, do interior, e, há tres anos moro em Salvador( uma cidade que as vezes gosto e outras vezes me deprime) Vim atrás de uma oportunidade que não tinha na minha cidade natal. Mas, confesso que a cada vez que visito minha família, meu coração volta mais em pedaços...Obrigada por dividir estes sentimentos e nos permitir saber que não estamos sozinhos...Abraço

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    1. Obg pela visita e pelo comentário, Eliane! Realmente, não há como não voltar com o coraçãozinho apertado depois de receber tanto acolhimento e amor da nossa família, tantos momentos bons, não é msm? Mas após os primeiros dias aq, as coisas vão voltando ao normal e td fica bem de novo. Tentando ver pelo lado positivo, amadurecemos e ganhamos experiência ao ter de lidar com essa distância. Bjs e volte sempre que quiser. :)

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  5. Quanta sabedoria. Obrigado por compartilhá-la! Você foi certeira. Adorei saber que dois anos após, sua reflexão foi positiva. É interessante notar a ação do tempo em nossas vidas: É que só o tempo e, às vezes, a distância, são capazes de nos proporcionar uma visão panorâmica das nossas questões pessoais.
    Eu sou simpatizante da doutrina espírita e acho que não nascemos numa família por acaso, nem numa cidade. Na verdade, nem sei dizer se acredito num “acaso”. Reencarnar entre entes queridos e viver numa cidade de interior nos ensinam valores e habilidades que precisávamos aprender: Simplicidade, humildade, simpatia, só pra citar... Não é que cidade grande não tenha nada a ensinar, a questão é: Cada ser reencarnado tem suas necessidades e nós precisávamos passar por esta experiência.

    Sair do lugar onde nasceu/cresceu, seja pra ficar para sempre ou apenas alguns anos, significa novas experiências, as quais, talvez, também nos sejam necessárias. Podemos ver isso como “planos de Deus em nossas vidas” ou simplesmente como “acaso”. Eu, particularmente, gosto sempre de pensar que há algo maior do que nós, isso me faz ser otimista!!

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