23 de fevereiro de 2012

Eu não me deixo em paz

Durante o período que frequentei à igreja evangélica, desenvolvi um hábito não muito saudável, o de me analisar constantemente.

A pressão que eu sofria da igreja para levar uma vida impecável era muito forte. Em minhas atitudes, palavras e pensamentos eu deveria ser uma pessoa reta para não decepcionar a Deus. Claro, que o argumento de que Deus sempre perdoa os nossos pecados quando há arrependimento em nossos corações, era sempre lembrado, mas quem conseguiria viver em paz quando sempre se via decepcionando o ser que era considerado o mais importante de sua vida?

Apesar de ser apenas um ser humano, com suas imperfeições e falhas, eu tentava levar uma vida de perfeição. Para isso, criei o hábito de me analisar o tempo inteiro. Da roupa que eu vestia à conversa que eu compartilhava com alguém, em tudo eu me policiava para não falhar. Toda essa pressão interna gerava em mim muita ansiedade, além do sentimento de frustração, fracasso e vulnerabilidade. Sim, pois como eles mesmos pregavam, quem está em pecado está fora da proteção de Deus.

Fato é que muitos anos se passaram desde essa época. Me desliguei por completo da igreja e da religião evangélica. Superei muita coisa, mas outras permaneceram em mim. Esta autoanálise constante é uma delas. Em algumas fases está mais amena, em outras, está no seu auge, como agora. Este hábito me impede de relaxar, de viver o momento, estou o tempo inteiro centrada em mim mesma. Se estou passeando ou mesmo vendo um filme, estou o tempo todo fazendo um monitoramento de como me sinto, de quem sou, ou como me comportaria ou me sentiria em determinada situação ou lugar. Você deve estar pensando: "Isso deve ser um saco!" E é mesmo. É quase um egocentrismo, mas não de propósito. Meu 'eu' tenta se proteger do erro, da falha, do ridículo, ele se sente vulnerável ao tentar deixar o controle, a se soltar, a não pensar no que está acontecendo.

Claro que o fato de passar tantas horas sozinha só contribui para a situação. Meu esposo diz que eu preciso arranjar algo para fazer fora de casa urgente. E quando estiver fora, tentar focar em outras coisas, fazer o possível para tirar o foco de mim. Pois desabafo com ele, que este foco constante em mim me deixa tensa, me gera uma sensação de desconforto e eu não consigo aproveitar nada do jeito que gostaria. Quem já enfrentou uma entrevista de trabalho, uma aula experimental ou a apresentação de um seminário, sabe como é desconfortável a sensação de ter alguém lhe avaliando. A sensação que eu sinto não é igual, não tão intensa, claro, mas é semelhante.

A razão de escrever tudo isso e dividir este assunto com vocês é porque eu quero transformar este meu comportamento. Eu o adquiri num período específico do meu passado, claro que minha personalidade perfeccionista colaborou para que ele me incomodasse tanto, mas eu acredito que podemos promover mudanças positivas em nossas vidas, e eu gostaria do apoio de vocês.

Primeiro, queria saber se me entendem, se já passaram por algo parecido... O que posso fazer para tirar o foco de mim durante o dia, e quando estiver fora de casa. Pensei que poderia me concentrar mais em minhas atividades, evitar as comparações constantes e reservar algum momento do dia para refletir, ao invés de refletir enquanto faço outras coisas. Interagir com outras pessoas parece ótimo, apesar de não me animar muito, pois a tendência natural é eu querer ficar recolhida no meu cantinho, vou me esforçar mais para conseguir o quanto antes o meu estágio.

Bom, é isso... Aguardo o retorno de vocês e agradeço desde já. :)

8 comentários:

  1. Sair de casa[ no intuito de arranjar algo para fazer] é mesmo a melhor opção. Quem sabe um trabalho voluntário ou um trabalho de meio expediente?

    Talvez estudar uma língua estrangeira ou fazer um bico?

    Um hobby?

    Qto à igreja eu tb passei por isso com a Assembléia de Deus, mas quando eu fui para a Batista, muita coisa mudou e entendi melhor como a Bíblia deveria ser interpretada. Não deixe que o trauma que essas pessoas te causaram tire o melhor de vc.

    Por mais que eles tenham feito o que fizeram com vc e comigo[o que não aprovo e nem concordo], ainda somos responsáveis pelas escolhas que fazemos no nosso presente e no nosso futuro.

    Por favor Lis, não dirija a estrada da sua vida se baseando pelo retrovisor. Eu fiz isso demais e isso me custou muito tempo, recursos e muita dor.
    Mais cedo ou mais tarde o carro vai bater.O meu bateu :(

    As pessoas nos decepcionam, Deus não.

    Bjs

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    1. Oi Gisley, eu entendi a metáfora, mas não me sinto assim, não mesmo. Eu abandonei a igreja e a religião evangélica por falta de afinidade. Mas minha relação com Deus continua, minha fé não foi rompida. Obrigada por sua visita e por compartilhar suas palavras. Sinta-se a vontade. :) Beijos!

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  2. Oi Lis,

    Eu não tenho muito experiencia com igrejas, mas uma amiga sempre me recomenda a batista.

    E olha, eu tb passo muito tempo sozinha, e a melhor coisa que eu tenho eh o meu estagio (que eh voluntario), eu adoro estar la, adoro as pessoas com quem trabalho. Melhora meu astral bastante!

    E obrigada pela dica com o esmalte, tentei hoje e dei certo! Nenhuma bolinha!! :)
    bjs

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    1. Comecei a estagiar há poucos dias, e já me sinto melhor. Obrigada! Bjo!

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  3. Seja vc mesma, não tente ser o que o outro espera que vc seja. É um conselho simples, ok, mas é isso mesmo. Difícil olhar para si mesma e perceber que perfeição é ser imperfeito. Tente apenas sentir prazer nas coisas que faz, sentir que ser imperfeito é que faz tudo ser diferente, que é na imperfeição que coisas extraordinárias acontecem. Não se analise quando não precisar de análise, somente o faça quando a questão realmente precisar ser reavaliada.

    Espero ter ajudado!

    Bjs

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  4. Lis!
    Volta pro blog!
    Que saudades dos seus textos!
    Um beijo

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    1. Oi Mayara, quero voltar sim. Brigada pela msg! Bjs!

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