19 de setembro de 2011

Perdida

Estou me sentindo muito perdida com relação a minha carreira. Vou resumir um pouco como as coisas aconteceram para que vocês entendam.

Pra começar, sempre me dediquei a duas áreas diferentes, tudo aconteceu sem querer. Eu tinha acabado de começar meu curso de jornalismo quando apareceu uma oportunidade de primeiro emprego como professora de espanhol numa escola de idiomas. Terminei o curso, me especializei em publicidade, trabalhei numa agência como redatora publicitária, comecei a ensinar no curso de publicidade, e paralelo a isso, continuei dando as aulas de espanhol, pois rolava uma grana extra e eu fazia isso sem dificuldades. Até que eu me dei conta que sempre ganharia muito mais como professora do que como comunicóloga, e que a demanda por professores de espanhol só iria crescer com o passar dos anos, foi então que fiz uma especialização em espanhol, passei num concurso para professor de espanhol no curso de Letras e comecei minha graduação à distância em Letras Espanhol.

A cidade em que eu nasci tem um pólo educacional muito forte, meu pai é professor universitário, eu ensinei em universidades por 3 anos, nunca me senti completamente realizada, mas como ganhava bem e fazia meu trabalho bem feito, ia levando a situação sem muito drama. As portas de trabalho sempre se abriram pra mim, nunca precisei enviar um currículo, as coisas simplesmente davam certo.

Até que este ano eu venho morar numa cidade grande, onde não conheço ninguém e ninguém me conhece. Já enviei currículos para mais de 100 empresas, e até agora nenhuma resposta. É quando começo a repensar minha vida profissional.

Com algumas exceções, paga-se muito mal, de uma forma geral, tanto a comunicólogos quanto a professores. Sábado passado iniciei uma pós em Tradução, mas foi quando pensei: Será que estou investindo em algo que me dará retorno? Quão difícil será ser bem sucedido neste mercado de tradução?

Conversando com o meu esposo, ele me sugeriu fazer um MBA em gerenciamento de projetos. Ele fez este curso e disse que eu me identificaria. É mais voltado para a área de administração. Eu tenho o hábito de fazer tabelas, orçamentos, cronogramas, planejamentos, etc. Faço isto para mim, para as despesas da casa, faço porque gosto, gosto de planejar e manter tudo organizado. Meu esposo acha que tenho habilidades a serem desenvolvidas e que com este curso, as portas de trabalho se abririam pra mim, inclusive na empresa onde ele trabalha, isto seria bastante viável também para nossos planos de morar fora do país. Mas a verdade é que eu morro de medo de mudar de direção. Tenho medo de arriscar e não dar certo. Me sinto muito intimidada a trabalhar numa multinacional, tampouco sei se este ambiente tem a ver comigo, estou longe de ser uma "workaholic", ao mesmo tempo, estão entre os meus objetivos, ter uma casa confortável, viajar, ser uma esposa que colabora com as despesas da casa, ter uma carreira estável e meu próprio dinheiro.

O que fazer nestas horas? O que fazer quando percebemos que a profissão que escolhemos não nos permite viver da forma como imaginamos? Quando alguém nos apresenta um outro caminho, mas um caminho tão diferente e desconhecido que a única forma de percorrê-lo é mudar a direção do nosso barco e fazer uma viagem completamente diferente?

Eu não sei o que fazer. Estou perdida e tenho medo de arriscar.

5 comentários:

  1. * não é que não existAm

    Desculpe pelo errinho de digitação. Bjo.

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  2. Lis, se você tem condições de fazer a pós, eu escolheria esse caminho. Eu mesma só consegui meu emprego atual porque comecei a minha pós este ano. É sempre um degrau a mais para quem está contratando.

    Já ouvi muito dos gestores ao meu redor que MBA não serve para quem não está trabalhando, especialmente se não for na área da especialização. No seu caso, eu não faria.

    No mais, não sei em que cidade você está, mas em SP é assim mesmo. Não é que não existem vagas - é que as pessoas que selecionam as vagas são muito desorganizadas - recebem currículos e não analisam, coisas do tipo.

    Eu insistiria nas vagas e faria a pós, no seu lugar, mas isso sou EU.

    Boa sorte.

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  3. Lis,
    sempre fui a favor de arriscar. Me formei em jornalismo e fui trabalhar em redação, gostava, me dei bem e fui até premiada, mas não amava exatamente. Com 32 anos e duas filhas (a caçula um bebê) meu marido foi transferido para o Rio (somos de SP) larguei tudo e o segui. Achei que era o fim da linha, só me restava ficar em casa, chorei um ano e meio lavando roupa, rs... me chamaram então para fazer uma pesquisa para texto na TV Globo(um frila), fui, fiz e me apaixonei por dramaturgia, me sujeitei a ganhar menos que antes e fui fazer produção de Arte, passei 22 anos em TV, me aposentei como diretora de arte e mesmo algumas vezes tendo trabalhado de 12 a 15 horas, adorei tudo aquilo! Era a primeira vez que trabalhava numa empresa grande com plano de cargos e salário, nada que eu não pudesse tirar de letra, por que eu amava o que eu fazia. Não tenha medo de arriscar às vezes é nesse risco que está o nosso pote de ouro do fim do arco-íris.Hoje continuo a fazer pesquisa pra dramaturgia. Mesmo aposentada, vira e mexe, volto a fazer dramaturgia,simplesmente por que amo um set de gravação.
    bjs
    Jussara

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  4. Lis,

    Quando o que temos não satisfaz mais e essa insatisfação começa a se alastrar, temos mesmo que aceitar e encarar com fé e força o desafio de mudar, de experimentar algo novo.

    Não se deve dar espaço pra letargia.

    Um beijo, boa sorte com as decisões aí.

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  5. Eita, Lis...
    nao vou nem me arriscar a dar um palpite, pois ando tao perdida quanto voce!! hehehehehe
    Mas de 1 coisa eu tenho certeza: estudo nunca eh demais, nunca se perde, e sempre faz a gente crescer!
    beijinhossss, e boas decisoes pra voce!

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