7 de abril de 2011

Minha experiência na Igreja Evangélica

Obs. 1: O texto ficou longo, mas não quis publicar em partes. Só consegui parar de escrever quando falei tudo que tinha pra falar, então, os que quiserem ler em partes, fiquem à vontade.

Obs. 2: As partes do texto que se encontram em itálico referem-se às ideias transmitidas pela igreja que eu frequentei.

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Introdução:
Acho que chegou a hora de eu compartilhar uma época muito marcante da minha vida. Só quem conhece essa fase são os meus mais íntimos, mas há um tempo tenho sentido vontade de escrever e contar tudo que passei. Mas sempre tive minhas dúvidas em como contar, o que dizer, o que não revelar, ainda tenho, pois não quero ser polêmica ou ofensiva. Escrevo pelo único desejo sincero de me expressar, de dividir, e nada mais.

O que pretendo contar aqui é como foi a minha experiência de três anos numa igreja evangélica, e como isso que vivi ainda reflete em mim e por consequência, na minha vida.

É preciso deixar bem claro que o que farei aqui não são críticas a esta religião, meu intuito não é ofender ninguém com minhas palavras, é apenas a minha história, algo individual e apenas isso.

Pra começar, posso dizer que foi uma experiência que não deu certo. Mas antes vamos contextualizar as coisas. Acho que seria conveniente falar aqui um pouco sobre mim antes disso tudo acontecer.

Contextualização:
Eu tive uma infância ótima. Era uma criança criativa e brinquei muito. Eu amava brincar. Adorava o cheiro de brinquedo novo. Tanto brincava de casinha com minhas primas, como de carrinho com meus primos. Eu era muito versátil, meu negócio era brincar.

Minha adolescência foi tranquila. Posso dizer que só entrei de fato nela aos 15 anos, pois até os 14 eu só queria brincar. Tive alguns conflitos em casa, discutia com meus pais, mas sempre por coisas muito simples como querer passar férias na casa de alguma prima, eu só lutei por um pouquinho mais de independência e liberdade naquela época, mas não me enquadro na categoria de ‘adolescente rebelde’.

Na minha juventude eu comecei o curso de jornalismo. Só dei o meu primeiro beijo aos 19 anos, não porque eu tivesse "travas" ou algo assim, mas porque eu tinha a visão romântica do primeiro beijo e queria que fosse algo especial. Nessa época eu adorava sair com o pessoal da universidade, nos reuníamos nas casas de alguns deles ou íamos a boates. Como eu me divertia? Dançando e conversando com meus amigos. Nada de “pegação” ou bebedeira, não que eu tivesse algum preconceito contra isso, só não era a minha. Eu sempre me enquadrei bem na categoria "careta", mas nunca me importei com isso, pois o que eu via quando me olhava era uma garota bem resolvida. Fiz (acho que faço ainda) o tipo "certinha". Nunca tomei um porre, nunca coloquei um cigarro na boca, obviamente nunca experimentei drogas, namorei pouco, etc. Não conto isso me gabando, estou contando apenas para que vocês me conheçam. Essa era a minha vida.

Como tudo começou:
Tudo começou aos 20 anos de idade. Um momento que hoje eu avalio como péssimo para minha entrada na igreja, pois estava desabrochando para a fase adulta, solidificando meu eu, eu me sentia pronta para abraçar as responsabilidades e a vida. Eu amadurecia em áreas como a profissional e a amorosa. Nessa época, uma das minhas melhores amigas tinha se convertido a religião evangélica e a minha mãe também. Eu nunca me identifiquei com esta religião, lembro que fazia críticas por achar tudo aquilo muito radical. Mas acredito que eu não tinha preconceitos, pois foi nesse tempo que comecei a namorar um rapaz também evangélico. Nos dávamos bem, ficamos juntos quatro meses. Até que um dia, sem mais nem menos, ele mudou, ficou frio e distante. Perguntei todos os motivos que consegui enumerar, e a única resposta que ele me deu foi que não sabia o que tinha acontecido. Eu achei melhor por um ponto final na relação, pra mim não havia sentido em continuar com alguém que não demonstrava prazer na minha companhia. Nos quatro meses que ficamos juntos, eu o acompanhei quase todos os domingos a igreja que ele frequentava, participei também de alguns eventos, mas jamais me passou pela cabeça me converter à religião dele, sendo bem sincera, eu dava pouquíssima atenção a tudo que ouvia, geralmente ficava pensando em outras coisas enquanto as pessoas pregavam.

Neste fim de semana em que nós terminamos, ele viajou, e eu fiquei muito mal, muito deprimida, a dúvida me angustiava. Eu não saía do quarto, e minha mãe me vendo daquele jeito, perguntou se eu não queria ir à igreja com ela naquele domingo. Aquele "sim" que eu disse a ela mudou totalmente a minha vida.

A conversão:
Cheguei àquele culto com o desinteresse comum que fui a todos os demais. Mas desta vez eu ouvia as palavras do pastor, um homem de aparência e falar humilde que me causou boa impressão. A medida que ele falava, eu percebia que nem tudo estava tão ruim, que eu iria ficar bem, e sim, eu queria me aproximar mais de Deus. Até que ele fez a pergunta regra ao final de todos os cultos: "Quem aceita Jesus Cristo como seu Salvador? Levante a mão." Eu perguntei a minha mãe se ao levantar-me eu me tornaria evangélica (pois eu não queria isso), e ela disse que não. Então, eu levantei e fui à frente com mais algumas pessoas. De lá fomos direcionados para uma salinha, onde nos entregaram uns panfletos, tinha também uma mesa de salgados, falaram algo sobre "nascer de novo", comunicaram sobre a Escola Dominical e oraram por nós, nos abraçaram e nos deram seus melhores sorrisos. Eles sabem como receber novos convertidos, que são, muitas vezes, pessoas que como eu, se encontravam com o emocional ferido e abalado.

Dia seguinte a conversão:
No dia seguinte, convido meu ex-namorado para mais uma conversa, eu precisava que ele me desse ao menos um motivo para que as coisas entre nós tivessem acabado. Ele persistiu com o seu tão intrigante "não sei". No fim da conversa, resolvi dizer que tinha me convertido à religião dele (eu não estava convencida disso, mas queria muito saber qual seria a sua reação). Ao ouvir minhas palavras, ele ficou perplexo, e foi quando abriu o jogo dizendo que as coisas tinham acabado entre a gente por eu não ser da mesma religião que ele. Que estava muito feliz por ter sido "usado por Deus" para me levar até Ele. Não reatamos, nos despedimos e foi isso. Eu fiz o possível para entender e aceitar os fatos. Sofri ainda uns quatro meses até virar a página.

A partir dali:
Cada dia que passava eu me envolvia mais e mais com a religião e com a igreja. Visitá-la fazia eu me sentir bem. Quando você é um recém-convertido você é considerado e chamado pelos outros como um "bebê na fé", soa muito afetivo, e eles te tratam de fato como uma pessoa que merece receber todos os cuidados. Nesta fase não há cobranças. Todos se encantam quando você fala que acabou de se converter. Você é o caçulinha da família, pois é este o conceito que a igreja trabalha, de que somos uma grande família, onde Deus é o nosso pai e Jesus o nosso irmão. Maria? Não, na igreja evangélica Maria não é nossa mãe, ela foi uma mulher especial, escolhida por Deus para gerar e dar à luz ao seu filho, mas que hoje, lá onde ela está, não pode fazer nada por nós, muito menos interceder, como afirmam os católicos, em resumo, não devemos orar à ela.

É muito comum você ganhar uma bíblia em eventos evangélicos, então eu já tinha a minha, e comecei a lê-la. Ganhava da minha mãe livros que falavam sobre o que eles chamam de "novo nascimento", ganhava cds de música gospel também. O mundo evangélico é um mundo à parte. Você pode viver nesse mundo e terá tudo que precisa, mesmo se é um jovem de 20 anos de idade. Eles têm os próprios livros, cds, dvds, shows, eventos, uma vida social dinâmica. O que me chamou a atenção foi como aqueles jovens podiam ser alegres, engraçados e divertidos. Havia ali um divertimento saudável, e como eu não tinha um passado conturbado de bebidas, drogas e “pegação”, fácil e rápido eu me adaptei a esse novo mundo. Tudo isso aconteceu no início de 2004, aqui eu estava com 21 anos.

O acolhimento da igreja:
Os primeiros meses são de fato uma maravilha. Pois eu havia sido "rejeitada" pelo meu ex-namorado, e agora eu era acolhida por todas aquelas pessoas. Os cultos evangélicos são calorosos, as pessoas se abraçam e se tocam mesmo sem se conhecerem, pois como já disse, são todos irmãos em Cristo. Esse sentimento de aceitação é muito gostoso para qualquer ser humano. Já pensou o que é você ser aceito do jeito que você é? Não importa se você é um drogado, uma garota de programa, um assassino, um pedófilo. Deus não ama o pecado, mas Deus ama o pecador. E enquanto a sociedade te rejeita, te humilha e te penaliza, aquelas pessoas te recebem com afeto e calor humano. É muito comum gays buscarem aceitabilidade dentro do meio cristão, como uma forma de se enquadrarem na nossa sociedade, pelo menos numa parte dela.

Mas qual seria o ponto negativo nisso tudo? Não é bom que haja pessoas no mundo que acolham os que foram rejeitados e discriminados? Sim, claro que sim, vendo dessa perspectiva é positivo. Mas daí eu entro com a segunda e maior parte da história...

A segunda parte da história:
Com o passar dos cultos, você começa a se ver como "inadequado". Primeiro, fica claro que o dia da sua conversão é um divisor de águas. Fica uma marca clara na sua mente que sua vida foi dividida em duas partes: Antes da igreja e depois da igreja. O que você descobre sobre o seu passado é que você não era ainda um filho de Deus, que você vivia na escuridão, nas trevas, você estava perdido, condenado ao inferno, pois não tinha aceitado Jesus Cristo como seu Salvador, o Espírito Santo ainda não habitava dentro de você, por mais que você fosse uma pessoa íntegra, pois como eles diziam apoiados em alguns versículos: “O homem não é salvo por suas obras.” Tudo que era dito era apoiado por versículos, muito bem escolhidos, não tinha como não se convencer que aqueles conceitos eram ditos por Deus. E como contestar o que foi dito por Ele? Então eu passei a ver o meu passado como sujo, como obscuro e eu passei a ver a mim mesma dessa forma. Passei a ter vergonha de coisas que eu fiz ou pensei, sentia culpa e pedia perdão a Deus por "tudo" aquilo. Pois quem era aquela garota "bem resolvida" senão uma pessoa "do mundo". Pois é assim que são chamadas as pessoas que não pertencem à religião evangélica, são pessoas "do mundo". Bem como as músicas "do mundo", filmes, livros, roupas "do mundo".

Mais coisas sobre a religião evangélica:
Na religião evangélica outra divisão é bem clara: Os cristãos e as pessoas "do mundo". Os cristãos são salvos, conhecem a verdade, as outras pessoas não são filhas de Deus, precisam ser salvas e não conhecem a verdade, estão condenadas ao inferno.

E ser "salvo" não traz em si uma sensação de alívio? Não exatamente. Por quê? Porque como eles mesmos dizem: "Uma vez salvo não significa salvo para sempre." Sim, pois a pessoa poderia perder sua salvação. Como assim? Se vivesse uma vida de pecado, que não agradasse a Deus. E o que seria pecado? O que era reprovado por Deus? Bom, posso dizer algumas coisinhas que eram reprovadas na igreja que eu frequentava, como eu dizia na época na "minha igreja". Pois dentro do meio evangélico as igrejas não são colocadas todas no mesmo saco, existem várias subdivisões. Mas vamos à lista:

Com relação à aparência, não era visto com bons olhos, nada curto, nada apertado, blusinhas de alça, tomara-que-caia muito menos, transparências. Usar biquíni na praia também não, barriga aparecendo jamais!

Nada de ouvir músicas "do mundo", somente a categoria gospel era aceitável. Filmes no estilo Harry Potter era o fim, coisa do diabo. Jamais ir à festas "do mundo", apenas aos eventos da igreja. Regra clara: Não namorar alguém que não compartilhe da sua fé, pois luz não pode se misturar com trevas. Se um rapaz era uma das pessoas mais íntegras e legais que você conheceu, mas não era evangélico, proibido! Amizades também deveriam passar por uma rigorosa seleção, pois é mais fácil as trevas enfraquecerem a luz que o contrário. Ainda sobre namorar. Namorar só se fosse pra casar. Conheceu alguém? Primeiro tem que ser evangélico, de preferência da mesma igreja. Ore a Deus e espere o Espírito Santo lhe responder se aquela pessoa é a pessoa com quem você vai casar. Pega muito mal namorar e acabar. “Ficar” então, abominável.

Meu comportamento diante das regras:
Eu entrei nessa de cabeça. Joguei roupas, cds, dvds, livros, filmes, tudo fora! Eu estava jogando a mim mesma fora. A pessoa que eu tinha levado 21 anos pra construir não tinha mais nenhum valor, estava tudo errado. Era hora de ser uma "nova criatura". Aceitei o modelo que me ofereceram. Eu não saía mais com os amigos da universidade, eles eram pessoas "do mundo", eu só participava de eventos da igreja, só escutava música gospel, lia livros cristãos e a bíblia, claro. Fiz novos amigos na igreja. Nessa fase só não me afastei de duas amigas, pois eram pessoas que eu considerava demais. Mas guardava no peito a responsabilidade e intenção de evangelizá-las. Mas eu nunca consegui ser uma evangélica chata que tentava converter todo mundo, apesar de ser muito incentivada a isso. Pois o conselho que eu recebia era que deveria aproveitar toda e qualquer oportunidade para levar a palavra de Deus às pessoas. Pois ao escolher ficar calada seria como ver uma pessoa se afogando num mar de lama, apenas com uma das mãos do lado de fora e não resgatá-la, pois é assim que as pessoas "do mundo" são vistas pelos evangélicos. Argumento forte esse, não? Bom, todas as vezes em que eu optava por não ser inconveniente, eu colocava mais um peso de culpa nas costas, ou melhor, no peito, pois era lá que apertava.

O que eu via durante os cultos:
Eu via pessoas em êxtase, em transe. Os cultos eram bastante fervorosos. Pessoas choravam, davam gargalhadas, pulavam, gritavam, corriam, caíam no chão, tremiam, oravam em línguas, tudo isso ao mesmo tempo, ao som de uma música alta, instrumentos exaltados, gritos e mais gritos de: Aleluia! Glória a Deus! Amém, Senhor! Das primeiras vezes eu me assustei, saía do local, eu não me sentia bem ali, mas minha mãe ia atrás de mim e reproduzia o que tinha ouvido, que aquilo ali era a manifestação do poder de Deus, a unção de Deus, que no começo ela também se assustou, mas que já tinha se acostumado. E eu retornava e tentava aceitar tudo que estava vendo como divino. Depois de pouco tempo, tentava inclusive mergulhar naquele mar de euforia, pois quem não conseguia se "conectar" era meio frio ou distante de Deus.

Como eram os meus dias:
Então, ser eu mesma não servia mais. A medida que o tempo passava, eu ganhava "responsabilidades". Ser evangélico e ir a igreja todos os domingos é coisa de crente preguiçoso. Eu tinha que diariamente louvar a Deus com cânticos, orar pelos perdidos, ler a bíblia. Participar dos cultos de jovens aos sábados, evangelizar nas ruas e hospitais, pois um dia eu iria prestar contas a Deus. Mas eu era jovem, fazia universidade e dava aulas de espanhol, e outra coisa, eu adorava navegar na internet, por horas. Isso virou um problema na minha vida. Pois com a vida que eu tinha, sobrava pouco tempo livre pra o meu lazer, e o que eu queria era ficar na frente do computador conversando com meus amigos ou vendo TV, mas atenção, novela era proibido! Eu tinha que orar, louvar, ler a bíblia. Essas minhas outras vontades (ver TV ou navegar na internet) eram vontades da carne que eu tinha que combater. Era dito na igreja que o filho de Deus que sentisse cansaço ou sono ao ler a bíblia deveria lê-la em pé para não dormir e assim, não satisfazer as vontades da carne.

Como eram os namoros entre os evangélicos:
Posso dizer que nos três anos que passei na igreja evangélica não namorei ninguém, encontrar a pessoa com quem eu iria casar era algo muito sério. Mas eu já tinha a cartilha caso eu viesse a namorar alguém. Bom, após receber o aviso do Espírito Santo de que aquela pessoa era a pessoa que Deus tinha escolhido pra você... Ah, porque o pensamento é esse, namorado, marido, trabalho, qualquer coisa, é escolhido por Deus, a gente só tem que desenvolver essa "sensibilidade" para ouvir e entender qual a vontade de Deus para as nossas vidas. Das coisas mais relevantes até as mais simples. Isso sim era ter afinidade espiritual. Mas então, no namoro entre dois cristãos não podia haver abraço de frente, para que os seios da menina não tocassem no corpo do rapaz, beijo de língua não muito demorado, pois como eles diziam: “Acende em cima, incendeia em baixo.” Pra quem não sabe, você se acaba de rir num culto para jovens, as pessoas que ministram são treinadas para alcançar os jovens e adolescentes com muitíssimo bom humor. Tudo isso facilita o processo de "assimilação". Sexo, claro, nem pensar! Nem pensar literalmente. Pensar nisso era pecado.

A pessoa que eu me tornei:
E assim eu fui vivendo a minha vida. A cada dia tentava ser mais e mais perfeita (santa). Não queria que Deus se desagradasse de mim. Afinal, desagradar a quem deu o seu único filho para morrer por mim, era algo muito sério. Em três anos eu menti duas vezes. Acreditem, e chorei muito e me torturei muito por cada uma delas. Fazer algo que fosse "pecado" para Deus era uma das maiores decepções que eu poderia sentir. Meus dias de resumiam a frustrações. Pois eu nunca conseguia alcançar aquele patamar tão elevado de perfeição (santidade) e dedicação que me era colocado.

Duas ferramentas foram utilizadas neste processo que hoje eu chamo de MANIPULAÇÃO: CULPA E MEDO.

Eu carregava essas duas coisas no peito. Pois saibam, Deus é perfeito, se qualquer coisa sai errado, a culpa é sua. É falta de fé, e falta de fé é pecado também.

O pior momento:
Com menos de um ano dentro da igreja evangélica eu passei a ter crises de ansiedade. Geralmente a noite que era quando eu me sentia mais frustrada. Eu nunca tinha sentido aquilo na vida, eu apenas denominava de uma "coisa ruim". Numa dessas crises eu cheguei a vomitar no banheiro sozinha de tanta culpa que eu senti, eu interpretei que era o diabo tentando me vencer. A angustia só piorava, e numa noite, véspera de Natal, tive uma crise de ansiedade tão grande que não consegui dormir. Passei a noite em claro com minha mãe, conversando e lógico, orando.

Eu me senti a pessoa mais frágil do mundo. Eu busquei no meu íntimo aquela pessoa forte que superava as dificuldades, mas eu não encontrei. Onde eu estava? Não sei... Eu tinha me desfeito de mim. Eu não existia mais. Minha mãe me levou a algumas pessoas da igreja, conversei por duas vezes com a esposa do pastor, que disse que aquilo era espíritos. Tudo na igreja evangélica, como sentimentos de medo, ansiedade, angústia é o diabo. Eu precisava orar e repreender, era o que eu fazia. O medo abre porta para o medo, então eu não podia sentir medo. Me sentia ainda mais vulnerável. Eu não entendia o que estava acontecendo. Eu queria fazer uma terapia, queria uma ajuda profissional. Mas o que eu escutava aos domingos na igreja era que não era certo procurar psicólogos, o psicólogo das nossas vidas era Jesus. Então, eu orava mais e mais.

Para me curar disto, eu entrei mais ainda na igreja. Queria ficar mais forte em Deus. Pois só somos fortes em Deus, sem Ele somos um nada. Comecei a fazer a escola bíblica três vezes na semana. Nesta época dos sete dias da semana, quatro ou cinco deles eu ia para igreja, dízimos e ofertas estavam incluídos nestas visitas.

Por que eu dava dinheiro à igreja? Porque como eles diziam, também apoiados em versículos: “Dez por cento de tudo que eu recebia era de Deus, e ficar com este dinheiro pra mim era o mesmo que roubar a Deus.”

Eu não sabia o que estava acontecendo. Todo o sentido da minha vida ia se perdendo. Focava-se tanto no espiritual que as demais coisas pareciam não fazer sentido. Pra que estudar, trabalhar, se o que importa mesmo é que Jesus vai voltar e temos que salvar o maior número de pessoas possível antes disso? Eu achava que tinha uma missão de evangelizar pelo mundo. Quebrando correntes, levando a palavra de Deus aos perdidos. É comum nos cultos as pessoas te darem palavras proféticas. E você, acredita.

Eu me sentia confusa. Perdida. Acho que tive uma crise existencial naquela época. Num dos piores dias da minha vida, aos prantos, eu olhei pra minha mãe e disse: “- Mãe, me diz qual é o meu nome, eu não sei mais quem eu sou”. É uma das piores sensações que alguém pode sentir. Você não fazer mais sentido pra você mesma. Perder-se dentro de você. Eu tinha medo de ficar louca de verdade. Tinha medo que uma hora minha cabeça não aguentasse mais, que minha consciência me deixasse e eu ficasse ali vazia em meio a loucura. Ter medo de enlouquecer é pavoroso.

Posso dizer que fiquei um ano nisso, dias melhores, dias piores. Não fui a nenhum psicólogo. E posso dizer, que apesar de várias partes dentro de mim se desmoronarem, alguma permaneceu intacta, firme, me segurando, eu saí dessa, posso dizer que sozinha.

Continuei na igreja, a fase ruim passou. Tive uma fase mais amena, apesar daquele mundo que eu frequentava continuar o mesmo, cada vez mais intolerante aos erros e as falhas. É quando estou completando o meu terceiro ano na igreja evangélica que outra situação me aparece.

A gota d'água:
Entra em contato comigo um dos ministros da igreja. Casado, por volta dos 33 anos, nessa época eu estava com 23. Já havia terminado o curso de jornalismo, trabalhava, fazia o segundo ano da escola bíblica e uma especialização em publicidade aos sábados. "Somente". Mas aos domingos lá estava eu na igreja. Pouca coisa havia mudado. Mas então, esse cara entrou em contato comigo pois queria uns livros emprestados, estava pensando em fazer o curso de jornalismo e por isso se aproximou de mim. Eu prontamente me coloquei à disposição dele. O admirava, ele era autor de alguns livros, pregava, a esposa dele cantava no louvor, os dois trabalhavam na igreja, então eu tinha todo o respeito. Ele pediu meu MSN e eu lhe passei. Conversávamos bastante. Ele era um cristão com uma visão menos radical, apesar de ser membro da mesma igreja, ele não achava nada de mais ouvir outras músicas e ler outros livros, e como ele (uma pessoa "evoluída na fé") estava dizendo, eu senti confiança. Ele representava pra mim um pouco da minha liberdade tão perdida. Ficamos meio que amigos, pois conversávamos quase todos os dias. Ele também quis minha participação em alguns projetos, então algumas vezes almoçamos juntos. Até que, como muitos a esta altura já devem estar imaginando, as coisas começaram a ficar meio estranhas...

Esse tal ministro começou a me assediar. Me convidava para ir a sua casa quando sua esposa estava viajando, dizia que tinha sonhos comigo, e eu no auge da minha inocência, achava que ele tinha sonhado que tinha me beijado. A falta de malícia era um traço da minha personalidade. Eu tentei contornar a situação de todas as formas possíveis, pois acreditem, eu não queria ser indelicada. Mantive isso em segredo por algum tempo. Não sabia como agir. Como assim? Um homem casado me assediando? Isso nunca tinha acontecido, pois sempre obtive respeito por onde passei. Uma vez, não aguentando mais aquela situação me abri com uma amiga da igreja, que me revelou que esse mesmo cara tinha feito igual com uma outra amiga dela antes de mim, e esta garota ameaçou entregá-lo aos líderes se ele não se afastasse dela, foi quando ele a deixou em paz. Eu senti que no fundo essa minha amiga esperava que eu desmascarasse esse canalha hipócrita, mas não o fiz, eu nunca me atraí por polêmicas, muito menos pensar em estar envolvida nelas, e será que a história não acabaria sendo invertida por interesse dos líderes? Ou seja, não será a “irmãzinha” que assediou o ministro? Isso era muito possível, apesar de uma parte de mim dizer que não. Bom, mas eu consegui por um ponto final nessa história, fui clara quando disse a ele que não queria mais contato, que ele por favor se afastasse, que eu não era aquele tipo de mulher que ele estava pensando. Ele ainda me procurou, mas acabou desistindo. Eu sofri muito com isso, mas passou.

A igreja faliu pra mim:
Aos poucos a visão da igreja foi despencando diante dos meus olhos. Ao passar por isso eu lembrava do caso de adultério recém descoberto de um pastor com uma "irmã" da igreja. Lembrei do pastor da igreja que minha amiga frequentava, que era vizinho dela e a espiava pela janela enquanto ela trocava de roupa. Eu juntei as coisas e concluí: QUANTA HIPOCRISIA! Não, não quero que ninguém seja perfeito e leve uma vida impecável, somos seres humanos, todos podem errar, mas por favor, não me venham com discursos fingidos, com falatório, não venham me dizer como viver, se suas vidas não estão em conformidade com suas palavras. E eu perdi a fé naqueles homens, naquelas pessoas, naquele mundo.

Minha saída da igreja evangélica:
Aos poucos eu fui parando de frequentar à igreja. Fui cedendo a minha decrescente vontade de estar ali. Isso já era início de 2007. Nessa fase conheci meu atual noivo, há quase quatro anos eu não me envolvia com ninguém. Na época da minha especialização eu até me interessei por um colega de sala, que demonstrou reciprocidade, mas como não era evangélico, eu não aceitei sair com ele. E a história nunca aconteceu. Meu noivo é uma pessoa com um pensamento avesso a religiões, ele é agnóstico. Ele vê as igrejas como centros de manipulação de massa. De início ouve muita resistência de minha parte em namorá-lo. Não é porque eu estava saindo da igreja, que todos os conceitos ali fincados na minha mente estavam indo embora. Mas com o tempo eu fui cedendo. Pois tinha decidido que ia viver pela minha consciência. Começamos a namorar e estamos juntos até hoje. Ele é o meu melhor amigo. Sabe tudo da minha vida, conhece bem toda essa história. É ele que me ajuda a lidar com todos os traumas e consequências que essa experiência me causou. Admiro seu caráter, sua índole e a forma como ele me ama e me aceita com todos os meus defeitos. Ele conhece cada um deles.

Após sair da igreja:
Sair da igreja foi um passo muito importante. Tem o tempo do meu relacionamento, três anos e meio. Mas eu venho engatinhando. Reencontrar-se não é uma tarefa fácil. Você esquece de quem era. Sente muitas saudades de quem foi um dia. Imagina mil vezes como as coisas teriam sido diferentes se nada daquilo tivesse acontecido. 2007 foi um ano de libertação pra mim. Fui voltando a ouvir as músicas que gostava, vestir as roupas que eu escolhia sem culpa. Pois antes, o argumento que eu ouvia para não usar uma roupa sensual era que eu estaria provocando homens casados. Mas hoje eu sei que cabe a cada um respeitar quem está ao seu lado e eu e minha roupa não temos nada a ver com isso, até porque, cá entre nós, eu tenho bom senso. Tive que enfrentar muitos bloqueios. Minha consciência pesou muitas vezes, muitas outras a culpa chegou, mas eu tentava vencer aquelas barreiras. Meu noivo foi fundamental nesse processo. 2008 foi um ano maravilhoso. 2009 foi um ano difícil, as crises de ansiedade voltaram, perdi seis quilos, o que pra mim é muito, pois sou magra. Não dormia direito, não comia quase nada e durante as crises vomitava tudo. Meu noivo havia se mudado pra cá. Essa separação foi muito difícil. Foi quando eu entrei na terapia. Nunca usei medicamentos, aprendi a controlar a ansiedade e venci mais essa fase.

Minha vida hoje:
Nada na minha vida me causou mais sofrimento do que aqueles primeiros anos na igreja. Nem quando minha mãe teve câncer foi tão difícil. E foi sim, um divisor de águas. Eu me sinto dividida em duas: quem eu era antes da igreja e quem eu sou depois. A terapia me ajudou a me reencontrar. Eu avancei muito neste sentido. 2010 foi um ano de superação e expectativa, e 2011 começou, e confesso, está sendo difícil.

Consequências da igreja:
Um dos discursos que eu mais ouvi na igreja foi que se eu saísse de lá minha vida seria muito difícil. Pois eu estaria saindo da proteção de Deus, e agora seria muito pior, pois eu já conhecia "a verdade". Para aquelas pessoas que me conheceram eu sou uma "desviada", categoria um pouco pior que “pessoas do mundo". Estou contra a vontade de Deus, em pecado, Deus não tem mais prazer em mim, estou vulnerável à infelicidade e condenada ao inferno, a não ser que eu me arrependa e volte para os braços do Pai.

Imaginem o que foi esse discurso sendo estrategicamente gravado na minha mente durante intensos três anos. Eu luto convencendo meu inconsciente dizendo que eu mereço ser feliz. Pois ao colocar os pés fora da igreja, esta profecia de infelicidade não se cumpriu, mas o meu inconsciente teimoso cria medos e obstáculos que faça cumprir o que ele aprendeu.

Continuo fazendo terapia, pois este assunto ainda não é uma página virada na minha vida. Quero muito que seja.

Como eu me sinto? Eu sinto que fui violada, roubada de mim, abusada, explorada moral e financeiramente, manipulada. É difícil recuperar-se de tudo isso. Somente eu sei o que eu passei. Ainda tento não me impressionar com filmes e histórias que por muito tempo estiveram relacionados a algo demoníaco. Tem filmes que preciso sair da sala do cinema por não conseguir ver até o final. Tenho explosões de raiva quando discuto, pois por três anos não pude extravasar nenhum sentimento negativo. Me culpo facilmente, me tornei ainda mais perfeccionista. E quando tudo está prestes a ficar bem, eu invento algum problema que impeça minha felicidade. Ainda escuto meu inconsciente questionar: "Será que eles não estão certos?" E eu mais uma vez preciso repetir: Eu estou vivendo pela minha consciência, só sou uma pessoa querendo acertar e ser feliz.

Meu lado espiritual e minha relação com os evangélicos:
Não abri mais a bíblia desde então, não me sinto pronta para ler sob minha própria ótica. Nunca mais frequentei igrejas, nem quero, não quero me envolver em grupos, quero desenvolver algo íntimo e pessoal com Deus. Eu e Ele, e mais ninguém. Tampouco levanto a bandeira: “Não aos evangélicos!” Não é minha intenção "tirar" ninguém de sua fé. Minha mãe e aquela minha amiga, que não é mais minha amiga, ainda são evangélicas e eu respeito. Tenho outros parentes que são, não os critico nem menciono o que passei. É indiferente pra mim falar sobre isso, pois sei muito bem quanto nossa cabeça se fecha para este mundo.

Finalizando:
Eu vejo as pessoas se perdendo. Quando volto a conversar com pessoas que se converteram, mas que eu as conheci antes da conversão, são outras pessoas. Não há identidade, há um modelo. Falam, se vestem, vivem da mesma forma. E é quando caio em mim e penso: “Ah, a pessoa que eu conheci não está mais aí.” Meu sentimento é uma mistura de saudade, lamento e tristeza.

Não quero aqui generalizar. Esta foi a minha experiência. Não espero que o mundo concorde comigo. Eu só quis desabafar. Esse só foi um pedaço da minha história.

16 comentários:

  1. Nossa, Lis...
    Acho que nunca li um texto tao claro, tao lucido e tao intenso como esse...
    "Religiao" eh um assunto muito sensivel, gera grandes polemicas, e se formos discutir com alguem de opiniao contraria, se torna uma coisa sem fim. Entao, como dizem por ai: "Sobre religiao, futebol e mulher, nao se discute"!
    Fiquei muitissimo impressionada com a sua experiencia. Foi um relato muito forte, que nao vou esquecer tao cedo, pode acreditar!
    Respeito a escolha das pessoas em buscar aquilo que elas acham que vai lhes fazer bem, que vai lhes trazer paz e conforto espiritual. Se estiverem felizes assim, que bom!
    Mas eu, particularmente, nao acredito que entre mim e Deus precise haver um intermediario. Onde esta a procuracao que Deus passou para alguem representa-Lo aqui na terra? Ninguem nesse mundo vai me convencer do contrario, jamais. A nao ser que me mostrem a tal procuracao...
    Nao concordo com Religiao nenhuma e nao concordo com Igreja nenhuma. Ha muito tempo me libertei do "medo" e da "culpa" que voce mencionou no seu texto, e sem esses dois instrumentos de manipulacao, essas instituicoes nao se sustentam!
    Sou fiel e temente a Deus, e acredito que nenhum padre, ou pastor, ou Papa, ou quem seja, tenha mais acesso a Ele do que eu. Se somos todos iguais, entao somos todos iguais!
    Entao nao preciso de ninguem para intermediar meu encontro com Deus, e sou muito bem resolvida assim, sabe? Encontro com Ele sempre que quero, onde quero, e como quero. E pra mim, tem dado muito certo.
    Como eu disse no inicio, cada um deve buscar aquilo que lhe faz bem, e eu respeito. Mas por respeitar a decisao dos outros, quero que a minha decisao seja respeitada da mesma forma, entende? E assim, nao dou chance de ninguem se meter na minha escolha, nem de vir me convencer do contrario.
    Olha, Lis... parabens pela sua coragem em expor um assunto tao intimo e tao delicado. Nao sei se voce vai ser criticada, se vao tentar lhe convencer que voce esta errada... mas a sua lucidez diante disso tudo me faz crer que voce nao vai se deixar intimidar por ninguem, e que nao vai mais se permitir sentir culpa nem medo.
    Parabens, menina!! Voce eh uma lutadora!

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  2. Lis,
    este espaço é seu, você pode colocar o que quiser e como quiser, quem não gostar que saia. Achei se post bastante corajoso, me acredito bastante religiosa, oro quando tenho vontade, converso com Deus e de vez em quando leio a Biblia ( se você quiser saber o que eu penso dela leia me Post do Robert Crumb), diria que minha fé é católica. Como você bem descreveu acredito que os evangélicos fazem lavagem celebral em seus fiéis e sendo bem cínica, com a finalidade de tirar dinheiro.
    Nenhuma religião que se baseia em máxima culpa pode ser boa, para mim pecado é não viver!
    Você não está sozinha em seus sentimentos conheço algumas pesoas (até da família) que após cair a venda que os pastores pôem em seus fiéis, sofreram e sofrem muito para se livrar de toda aquela manipulação.
    Você está conseguindo se livrar, eu posso ver só pela sua capacidade de escrever esse post.
    bjs carinhosos
    Jussara

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  3. Assunto delicado esse, mexe com o que as pessoas têm de mais precioso, a fé.

    Espero que o desabafo tenha te feito bem. Não vou entrar no X da questão porque seria desnecessário, uma vez que concordo plenamente com a tua visão.

    Um beijo, Lis.

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  4. Lis, sou católica de bastismo, fui criada por minha mãe para respeitar todas as religiões e frequentei por uma ou duas vezes todas as religiões possiveis, em minha adolescencia, e vejo hoje o quanto isso foi bom, pois creio que "igrejas" são feitas por humanos e os humanos erram, não detem a verdade. Hoje me digo espiritualista, pois creio em algo além desta vida, por isso temos que ser BONS, e ser bom para mim é dar e receber amor, não julgar....tive uma adolescencia bem diferente da tua...beijei muito, tomei porres, dancei e fiz muita festa. E hoje embora tenha batizado minha filha na igreja católica, por achar que temos que ter uma direção a seguir...não a obrigo a frequentar, nos unimos a noite por alguns poucos minutos e lemos o evangelho e pedimos a Deus que nos ilumine e de harmonia ao nosso mundo. Acredito que fé é o que devemos ter, crer que Deus é sábio e nos dá sempre o melhor.

    Aproposito se você puder leia o livro "Você pode curar sua vida" autora Louise Hay
    Penso igual a ela, voc~e vai ver ele vai ajudar no processo de controlar a ansiedade.
    Muita Luz e paz.
    Abraço

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  5. Que relato lindo!

    Quem dera mais pessoas pudessem retormar as rédeas da própria vida, apropriando-se de si mesmas e vissem o mundo com um pouquinho mais de crítica e menos hipocrisia...

    Não sou fã da religião que tolhe a liberdade, escraviza e se torna ditatorial quanto às regras que impõe. E acho de uma arrogância sem precedentes julgar os outros, achando-se melhor e mais evoluído do que o resto do universo apenas porque possui uma crença diferenciada.

    Que vc seja muito feliz!

    O caminho do amor, da coerência, do autoconhecimento e do equlíbrio independe de religião.

    Parabéns pelo seu relato!

    Bjos!

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  6. Lis, vou lendo seu post e comentando aos poucos para não ficar nada pra trás.

    É para eu me sentir a mulher mais pecadora do mundo, pois se você que teve uma vida até então careta estava se sentindo mal, imagina eu que aproveitei e muuuuuuuuuuiitoooooooo minha adolescencia... fui a ovelha negra da família, namorei muito, tomei porres e mais porres... afff
    Respeito todas as religiões, já fui em vários cultos evangélicos, mas jamais me converteria, não combina com meu estilo de vida entende, nem por isso não acho que não sou filha de Deus e não acredito que vou para o inferno...
    Deixar de usar minhas roupas curtas e apertadas não conseguiria mesmo...
    Tenho uma ex amiga evangélica que teve a coragem de falar que minha filha era filha do pecado, do diabo, fiquei P da vida, mas o castigo digamos assim veio a cavalo... ela engravidou, segundo ela fruto abençoado diferente do meu, mas ela acabou perdendo o bb, triste sim, sinto pela criança e só.

    Não acredito tb que precisamos gritar para Deus nos ouvir, afinal ele não é surdo!!!!
    Namorar faz parte da vida de todo ser humano, acredito que Deus coloca sim as pessoas em nossa vida sendo elas boas ou ruins, para podermos crescer como pessoa.
    Acho que você sentiu essa angústia por não viver sua vida e sim a vida dos evangélicos, afinal não é fácil deixar de ser vc para se tornar o que os outros queiram que vc se torne.

    Ser assediada por um irmão de fé!!!!Que absurdo, não é pecado por ele ser casado? kd a fé? Só as pessoas pertencentes ao mundo que fazem esse tipo de coisa? Haha queria que essa minha ex amiga visse esse post...

    Você acha que não foi Deus que colocou seu noivo em seu caminho? Eu acredito que Ele colocou-o em sua vida para tirá-la de uma vez do sofrimento que estava passando, te confortá-la.

    Lis, lamento muito você ter passado por tudo isso, pense que você está recomeçando sua vida da forma mais correta possível, se errar, concerte, afinal errar é humano e todos temos esse direito.
    Você tem o apoio do seu noivo, que entrou na sua vida para te fazer feliz.

    A Flávia postou sobre um filme chamado "O Segredo" assiste quem sabe ele não te ajuda a ter outra visão de mundo. É um documentário que eu amei e estou tentando fazer dele a base da minha vida, não tem nada haver com religião, nem cultos doidos e sim o poder que exercemos sobre o universo.

    Mas concluindo acho que você fez muito bem em sair da igreja, em alguns casos a igreja ajuda em outras atrapalha e muito...
    Coloquei acima minha visão também tá... e aproveitando obrigado pelas palavras lá no meu blog...beijão

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  7. Lis, li seu post com muita atenção e tenho idéias bem parecidas com a sua sobre evangélicos, porque cheguei a frequentar igrejas, que não eram tão radicais assim quanto a restrições, mas também muito julgadoras, detentoras da verdade e cheias de hipocrisia, me decepcionei com o comportamento das pessoas como você, que pregavam uma coisa e faziam outra oposta. Eu nunca cheguei a me batizar numa igreja evangélica, mas houve um tempo que estava muito envolvida e foi a época que me sentia mais triste, mais confusa e decepcionada com o ser humano, o pior que isso começou a fazer com que eu me afastasse de Deus, mas ainda bem que em tempo, vi que Deus não tinha nada a ver com isso, que podia manter a minha fé, minha espiritualidade independente de estar numa igreja. Conheço pessoas que são cristãos verdadeiros e que vivem verdadeiramente o que dizem e se sentem felizes e quando é assim, acho muito bom e não recrimino, mas a minha experiência foi ruim. Eu era católica antes e não me aproximei da igreja evangélica porque estava sofrendo ou algo assim, não, eu me encantei com a intensidade com a qual eles viviam sua espiritualidade e compromisso em aprender cada vez mais...porém, lá dentro a coisa não é tão bela como pintam, entre eles há muita inveja, disputas para ver quem é o mais importante na igreja, o que aparece mais no culto... Espero que você supere tudo da melhor forma possível, com o mínimo de cicatrizes e que nunca desista de sua espiritualidade por causa de religiões! Um beijo.

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  8. Lis, amada!
    UAU!!! Vou voltar com calma...preciso de um tempo para digerir. Uma coisa é certa: será um ano de bençãos para você! Pq o D'us que eu creio não abandona, nem desampara, muito menos desprotege nenhum filho! Esse D'us que cobra dízimo, que pune, castiga provavelmente tem outro nome...
    Beijuuss na alma e uma semana iluminada procê!

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  9. Lis,

    sinto muito que vc teve essa experiência horrível com essa determinada igreja evangélica.Como falei no vídeo sobre aquela igreja, eles eram muito parecidos com a igreja e a comunidade que vc descreveu por aqui...Eu tive a sorte de ter uma prima que estava numa igreja evangélica saudável e bem centrada,pois assim como vc saí da outra igreja sem saber quem eu realmente era...

    Confesso que tive muita raiva das pessoas, e das quais se diziam minhas amigas e que no final das contas nunca foram...Fui chamada de liberal pq decidi visitar uma igreja Batista(pra vc ver o exagero), mas creio que fiz a decisão certa naquele tempo..A minha primeira igreja que frequentei aqui tb era muito faça o que eu digo mas não faça o que eu faço e assim como vc achei que ia enlouquecer pq eu tinha que agradar a todo mundo e cheguei pro meu marido e disse que não dava...

    Daí orei muito e nós fomos transferidos para uma cidade maior e encontramos uma igreja boa, emocionalmente saudável e centrada na Bíblia, que faz as coisas do jeito certo.

    Espero que um dia vc possa encontrar uma comunidade que lhe mostre o verdadeiro tipo de Cristianismo pois essa igreja a qual foste inserida lhe causou sim muitos danos emocionais e não é assim que Deus ensina o seu povo a lhe dar com as pessoas..Salvação ninguém perde pq ninguém pagou por ela pra começo de conversa...Como vc pode perder aquilo que lhe foi lhe dado como presente?

    Uma vez filho,filho para sempre.

    Nossos pais não nos deixam de nos amar e não nos deixam de nos ver como filhos pq às vezes pisamos na bola.

    Se um dia vc quiser dividir mais essa experiência ou tiver alguma dúvida ou questão sobre a Bíblia, eu sabendo eu respondo com maior prazer.

    Grande abraço!

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  10. Ui...foi quase um livro kkkkk

    Bem, religião não se discute, não é?
    Eu acredito em Deus e em mim, faço o bem, penso positivo, procuro ajudar o próximo, faço boas ações e acho que tudo isso volta pra mim um dia!

    Sem me rotular ou me prender a algo, vou vivendo minha vida em paz!

    bjkas

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  11. Oi Lis, eum que nunca fui evangélica, tenho uma visão parecida com a do seu noivo, talvez por isso preze tanto a minha religião. Pode ser que meu ópio me cegue tanto quanto o dos outros, mas eu acredito firmemente quew tenho uma vbisão mais madura de Deus, nunca consegui o enxergar como punitivo, pelo contrário, pra mim deus é a mor e caridade, por nós mesmos e pelos outros. Epsero que você se encontre, cada vez mais forte e mais real e que isso te traga calma e felicidade.Um abraço.

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  12. Oi Lis, tenho 46 anos e passei pela situação exata que vc descreve no seu depoimento. Frequentei uma igreja no interior do RJ de 2002 a 2004 onde sofri toda essa violência. Eu não sabia explicar o que tinha acontecido comigo,ao ler seu depoimento consegui "dar nome aos bois",vejo que até hoje estou reagindo, lutando para me reencontrar por completo, eu era uma pessoa extrovertida e nunca tinha experimentado o preconceito e a discriminação até me envolver nisso tudo. Me tornei meio "pé atrás" com estranhos, e sofro um pouco de fobia social,nunca mas pisei numa igreja e é difícl ver meus parentes confusos com o meu afastamento. Obrigada por dividir sua experência, me ajudou muito, bjs.

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  13. Olá Lis, boa tarde.

    Li seu relato e identifiquei com muitos casos na qual conheço. Entendo perfeitamente a sua frustração quanto a tudo isso, e lamento que tudo tenha sido assim.

    Eu faço um trabalho de apoio a pessoas que passaram experiências como a sua, para ajuda-las a lidar com esse tipo de situação. Sempre vem a mim pessoas que passaram por coisas parecidas que a sua. Se estiver interessada, entre em contato comigo: ulinascimento2011@gmail.com.

    Abraços, atenciosamente.

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  14. Acho que você aceitou uma religião - não o CRISTO verdadeiro.
    A religião trás um bem-estar temporário, mas CRISTO trás mudanças eternas. Dependendo da religião que você abrace, você pode sofrer manipulações e sensações, mas CRISTO lhe trás segurança e convicções. Vejo que nada disso você pode experimentar, porque sua experiência foi apenas com a religião (talvez uma falsa religião), nao foi com o CRISTO que ainda te ama muito e te espera de braços abertos.
    Antes de abraçar qualquer igreja evangélica, abrace o CRISTO ressurreto, e deixe Ele te abraçar.

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    1. Sinceramente, esse é o verdadeiro comentário de uma pessoa religiosa.
      Cada um tem sua opinião, mas se perguntarmos a um evangélico como conhecer o Cristo ressurreto, ele irá te dar várias doutrinas pra estudar.
      Dá pra conhecer a Cristo de maneira não dogmática?? Se tiver, então não será através de uma igreja evangélica.

      Abraços!

      Pedro Pamplona, Rio de Janeiro/RJ

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  15. Isso devia ser panfletado nas portas das igrejas, divulgado em cadeia nacional. Fico muito triste/puto/revoltado em ver milhões de pessoas terem sua liberdade tomada em nome de uma mensagem que não foca exatamente na melhoria de vida destes fieis, mas na melhoria de vida dos pastores e igrejas.
    Relatos como o seu podem iluminar várias mentes que ainda não enxergam claramente o quanto estão sendo USADOS, seja como fonte de dinheiro, seja como fonte de votos, seja como promoters para divulgação da igreja (e conseguir assim mais dinheiro e votos). Se tornam todos, mais cedo ou mais tarde, fantoches.
    Conheço casos de pastores se aproveitando de diversas formas da inocência de pessoas que conheço e tenho algo claro em minha cabeça: A contrapartida que eles oferecem (atenção, unidade, conforto) não justifica a perda da liberdade, doutrinação cega e escravidão aplicadas sobre os crentes.
    Te parabenizo em saber que há pessoas esclarecidas que conseguem enxergar ambos lados da moeda. Restaurou minha fé na humanidade.

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