4 de abril de 2011

Eu e a Terapia - Feedback

Mais uma semana começando, primeiramente quero separar um espaço deste post para agradecer as visitas e os comentários deixados aqui. Habitualmente, visito cada blog e agradeço as palavras de compreensão, apoio e incentivo. O faço de coração, não por educação ou obrigatoriedade. Nesta fase foi muito bom encontrar esse espaço virtual. Não imaginava o quanto seria bom e válido essa troca de experiências. Escrever aqui, ler os comentários e os textos escritos em cada blog é também terapêutico, assim vamos nos entendendo, sendo ajudados e ajudando. Em resumo, estou muito feliz com tudo que estou recebendo com esta experiência. Obrigada!

Bom, hoje quero dar um retorno do meu post anterior Eu e a Terapia. No último sábado lá estava eu na sala de L. para mais uma sessão. É comum eu levar textos que postei aqui e ler para ela, pois são em resumo meus pensamentos estruturados, quando começo a falar, muitas vezes desvio do assunto e acabo por não falar tudo, e a leitura dos textos impede que eu faça isso.

Eu li o post pra ela, ela entendeu a minha resistência. Identificou que eu, ao perceber um aspecto negativo da minha personalidade, tento me esquivar, sem aceitar aquele lado não tão bom como meu. Acho que esse é um traço bem comum das pessoas perfeccionistas. Estou atenta a isso, pois se faço isso comigo, não o faria também com os outros?

No momento achei conveniente lhe contar alguns episódios da minha infância, talvez relacionados com a minha insegurança diante das pessoas hoje. Contei de uma fase marcante aos meus 6 anos. Quando na escola eu era agredida por uma outra colega de classe. Eu era uma criança tímida e intimidada facilmente. Esta garotinha ameaçava me bater se eu não fizesse tudo que ela queria. Ela ficava com minhas coisas, roubava meu lanche, me contava histórias para me fazer medo, enfim, fazia das minhas tardes de aula um terror. Eu não dizia nada a professora. Em casa, meus pais não deram muita importância. O conselho do meu pai foi: -Se ela bater em você, bata nela. Acho que o meu pai pensou que eu era um menino... :) Só sei que essa situação só foi resolvida quando eu mudei de turma, ou melhor, de turno. Comecei a estudar pela manhã, pois eu não queria nem ver aquela fulaninha. Acho que isso me deixou com uma sensaçãozinha de fracasso, de vítima indefesa. É muito comum até hoje eu me colocar nesta posição de vítima diante das situações.

E o que acontecia em casa? Eu era agressiva com minha irmã menor, malcriada com as babás, eu descontava em casa o que vivia na escola. Mas ao ganhar um pouco de maturidade, ao perceber que não era certo agredir minha irmã, eu parei, e nunca mais fiz isso. Em casa eu sabia reagir, como disse minha terapeuta, no meu território eu sabia me defender, pois lá me sentia protegida. Lembro que tinha uma professora de reforço, pois eu era preguiçosa para estudar, eu não gostava dessa professora, pois ela não deixava eu usar borracha. Ela dizia que eu errava muito, que deveria aprender a escrever sem errar, pois no próximo ano, eu usaria caneta. Então, o que ela fazia? Guardava minha borracha e me obrigava a fazer a tarefa sem poder apagar. Pode isso? Não teria ela me influenciado a ser perfeccionista? Não sei... Como me livrei dela? Bom, como eu sempre demorava (de propósito) a abrir a porta da casa pra ela, ela disse que da próxima vez não iria ficar esperando, se eu demorasse muito, ela iria embora. E foi o que aconteceu. No dia seguinte a deixei esperando mais que em todos os outros dias, até que ela foi embora... Sei que não foi muito elegante da minha parte, mas eu era só uma criança... :)

Bom, então eu sempre fui uma menina que via os adultos como seres superiores e intimidadores. Nunca me sentia confortável com eles. A tal ponto que uma vez fiz xixi na sala de aula porque a professora não me deixou ir ao banheiro. Sorte que ninguém viu, pelo menos eu acho que não. E eis que estou aqui, com meus recém completados 28 anos, sou uma adulta ou não? Rodeada de adultos, mas quando estou no meio deles, ainda não me sinto de igual para igual. Meio louco isso não? Agora mais do que nunca eu preciso conviver com eles (os adultos) e eles ainda me intimidam. Eu quero trabalhar para mudar isso.

Certa vez eu estava navegando na internet e vi uma imagem que me chamou muito a atenção no blog Vigilantes da Autoestima, essa aqui:


Olhei pra ela e me identifiquei muito com essa menininha. Antes disso, claro, tomei um susto com esse dragão horrível, ainda hoje se olhar muito pra ele fico com medo... :) Mas me vi como essa menininha, acuada, encolhida, frágil, segurando seu bichinho. Quem seria o dragão? O mundo, as pessoas, ou até eu mesma, me cobrando e me exigindo demais. Imprimi a imagem e levei para a L. ver. E ela me fez enxergar algo neste desenho que eu não havia percebido. Ela disse: "O que me chama atenção neste desenho, é que esta menininha apesar de demonstrar medo, demonstra também muita coragem, pois ela está encarando o dragão, olhando nos olhos dele. Ela demonstra ter muita força lá dentro." Nossa, isso pra mim foi tão revelador... Pois sim, eu estou aqui olhando nos olhos da minha nova vida, olhando nos olhos do mundo, certa de que não há outra opção senão tentar até conseguir.

E a frase que guardei comigo da última sessão com a L. foi que tem algo dentro de mim que me mantém saudável, que me faz crescer.

Desejo uma excelente semana pra todos nós!

Beijos!

12 comentários:

  1. Lis,
    eu concordo com sua terapeuta, na imagem o que me chama a atenção é o olhar da menina, bem dentro dos do dragão.E, para mim, o dragão se sente intrigado, pois está com a boca fechada. É intimidador crescer mas o melhor é enfrentar!
    bjs
    Jussara

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  2. Olá! Eu não tenho muito a dizer pq em muitos momentos tbm me sinto intimidada pelo mundo... Já fiz terapia, depressão braba, mas daquela melhorei, ainda que hoje e sempre eu precise "vigiar minha alma"... Com o tempo vc recupera o ânimo e vai lidando melhor com o seu mundo.
    Bjs

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  3. Muito bom!! A interpretação do desenho é perfeita, a menina apesar do medo, não fugiu! Está lá de olhos bem abertos, agarrada no que da segurança pra ela e encarando seus "pesadelos".
    Continue assim!
    besitos

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  4. Absolutamente tudo o que vivemos interfere no que somos. Somos, então, produto de todas as nossas experiências e a terapia é o momento de buscar nas memórias a explicação para os porquês atuais.

    Que bom que tu está fazendo bom uso da tua. Parabéns!

    Um beijo.

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  5. Lis... ainda vou comentar nesse post, mas antes disso, preciso dizer que estou im-pres-sio-na-da com a coincidencia!!! Meninaaaaa, somos da mesma terra!!! Eu sou de Joao Pessoa, acreditas????? Sou do Sul nada menina!! Falo "mainha", "painho" e "oxente" como uma boa nordestina!!!hahahaha
    Que mundo pequeno, hein????
    Vou voltar pra falar do post mais tarde, ta??
    beijosss da sua conterranea!

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  6. Engraçado Lis, quando olhei a imagem parei de ler o post e concluí que a menina olha para o dragão com um olhar de "te cato na saída"...rsrsrs... não consegui enxergar medo nela... ela só está quietinha para pensar no próximo passo a ser dado, ou melhor como adestrar o dragão... essa é minha visão da imagem.
    Beijão

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  7. A nossa alegria supera nossa tristeza, nosso consolo supera nossa dor, nossa fé supera nossa dúvida, nossa esperança supera nosso desespero, nosso entusiasmo supera nosso desânimo, nosso sucesso supera nosso fracasso, nossa coragem supera nosso medo, nossa força supera nossa fraqueza, nossa perseverança supera nossa inconstância, nossa paz supera nossa guerra, nossa luz supera nossa escuridão, nossa voz supera nosso silêncio, nossa paciência supera nossa impaciência, nosso descanso supera nosso cansaço, nosso conhecimento supera nossa ignorância, nossa sabedoria supera nossa tolice, nossa vitória supera nossa derrota, nossa ação supera nosso tédio, nosso ganho supera nossa perda, nossa resistência supera nossa fragilidade, nosso sorriso supera nosso choro, nossa gratidão supera nossa ingradidão, nossa riqueza supera nossa pobreza, nosso sonho supera nossa realidade... Nosso amor a Deus, ao próximo, à vida, nos faz superar tudo! (Pr. Edilson Ram)Uma semana de vitórias Deus é com tigo creia! TENHO UM BLOG GOSTARIA DE TI CONVIDAR SEGUIR O ENDEREÇO É:http://SNSDEUS.BLOGSPOTFICA COM NOSSO PAPAI já estou te seguindo te encontrei através de uma amiga,post teu comentario vai ser uma benção prs seguidores e visitantes uma semana com muita sorte de benção!!!

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  8. eu achei muito bacana a interpretação do desenho, foi exatamente o que eu havia pensado!

    Minha mãe faz terapia há anos e esta super feliz, começo a pensar que esta na hora de começar a fazer também!

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  9. Lis, querida,
    pelo pouquissimo que lhe conheci nesses ultimos tempos, atraves de seus posts, nao vejo voce como uma "menininha" acuada, com medo do mundo. Ao contrario!
    Vejo voce como uma mulher corajosa, que largou familia, emprego, amigos, sua cidade natal, sua casa, enfim, pra iniciar uma nova vida num mundo estranho, pra construir uma nova estoria ao lado da pessoa que voce ama.
    E vejo tambem, pelos seus posts, uma mulher que sabe exatamente quais sao os seus pontos fracos, que reconhece algumas fragilidades (o que pra mim, eh sinal de muita coragem! Nem todo mundo admite as proprias falhas!), mas que esta buscando sempre enfrenta-los de peito aberto, de frente, olhando bem nos olhos deles, e buscando aprender com eles, para se tornar uma pessoa maior e melhor.
    Tiro meu chapeu pra voce!
    Acho incrivel essa estoria de terapia! Descobrimos cada coisa sobre nos mesmas, neh?!! Essa analise da sua terapeuta sobre a imagem, achei o maximo! E imagino como deve ter sido bom pra voce ouvir as palavras dela...
    Eh isso mesmo, Lis! A estrada eh longa, mas voce esta no caminho certo!
    beijos, e ate breve!

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  10. Oi Lis,eu aqui de novo.Olha só: eu vou fazer 25 anos, como alguém de 25 anos não consegue se sentir adulta? Eu acho engraçado que até as pessoas que comentam no meu blog tendem a pensar que eu sou adolescente ou "bem novinha", acho que como eu não me vejo como adulta, não falo, não penso e não escrevo como adulta, minhas confusões são também pueris. Mas continuamos por aqui,e ncarando nossos dragões e lutando com nosso perfeccionismo. Um abraço e um ótimo fim de semana pra você.

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  11. Esse post é antigo mas talvez você ainda venha aqui. Como você está? Venceu o perfeccionismo? Espero que sim. Se você tiver facebook, me adiciona: www.facebook.com/lucastrindade21

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    Respostas
    1. Olá, Lucas. Estou bem sim, obrigada! A batalha contra o perfeccionismo é diária, às vezes ganho, às vezes perco. Continuo na terapia, gosto muito. Obrigada pela visita! Ah, e não tenho Facebook vinculado a esta conta. Abraços!

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