19 de março de 2011

Eu e a Terapia

É incrível como me sinto a vontade para me expressar neste blog. Acho que pelo fato de apenas vocês, eu e meu noivo saberem da existência dele. Aqui posso falar a vontade sobre o que penso e vivencio.

Hoje quero falar sobre algo que ficou martelando na minha cabecinha. Minha sessão de terapia. Mas antes, quero falar um pouco da minha relação com a terapia.

Eu comecei a fazer terapia em 2009, quando o meu noivo, na época meu namorado, mudou-se pra cá. Os primeiros 3 meses foram muito difíceis, pois eu sabia que a vinda dele implicaria na minha. E foi o que acabou acontecendo. Procurei um terapeuta na época pois estava muito ansiosa com tantas mudanças que estavam prestes a acontecer. Sim. Eu sofro de véspera. Foi mais ou menos 1 ano de terapia, foi muito bom, entendi melhor certas, me reencontrei (um dia eu falo sobre quando me perdi), e aprendi a lidar com as crises de ansiedade.

Eu sempre tive uma atração muito grande a tudo que levasse a me conhecer melhor. Sempre fiz (faço) aqueles testes de revista e internet sobre qualquer coisa, "você é ciumenta?" "você é controladora?" etc. Então, fazer terapia sempre esteve nos meus planos.

Chegando aqui em Salvador, eu procurei uma psicóloga com a abordagem cognitivo-comportamental, não que eu entendesse patavinas sobre isso, mas uma grande amiga minha, psicóloga, me explicou sobre esse tipo de abordagem e achei que tinha muito a ver comigo.

Com poucos dias aqui em Salvador, eu marquei uma sessão com a L. e fiquei encantada com a forma como ela me recebeu, foi muito educada, doce e gentil. Demonstrou interesse e curiosidade pelo o que eu falava. Me indicou um ótimo livro: A mente vencendo o humor, um livro didático, claro, e com uma proposta diferente, pois oferece exercícios práticos e de reflexão.

Sempre saí das sessões mais leve, e levando algo positivo que a L. tinha falado a meu respeito. Hoje a tarde eu fui com bastante expectativa para a sessão, pois estava ansiosa para contar-lhe como foi a semana com minha família, os meus progressos, enfim. Estava pronta para um "segundo nível" a partir de agora, quando queria mais ouvir do que falar. Queria saber quais as suas interpretações sobre mim e sobre as experiências de vida que tinha compartilhado com ela até o momento. Mas a medida que a L. foi falando eu fui ficando cada vez mais tensa, não que ela estivesse dizendo nada demais, nada horrível, pelo contrário, mas não sei se eu estava preparada para ouvir o que minha terapeuta tinha a dizer sobre tudo que dividi com ela. Estranho isso, não? Eu fiquei desconfortável, e pela primeira vez, desejei que a sessão chegasse logo ao fim, e não saí de lá com muita vontade de voltar. De jeito nenhum estou dizendo que vou parar a terapia, mas acho que a resistência que a L. falou que podia aparecer, e que no dia eu nem entendi direito o que seria, apareceu. Meu pensamento foi: "Chega, tá bom, não quero mais falar de mim ou de quem fui, nem entender mais nada. Acho que o sei até aqui tá bom. Não quero mais mexer em nada." E saí de lá com uma sensação estranha...

No carro fui dirigindo e pensando no que ouvi ou falei que poderia ter me deixado assim tão desconfortável. Os momentos que eu considero mais críticos em minha vida já tinha falado pra ela, mas falar de como fui uma amiga faltosa no passado, ausente, furona, atrasada... De como nunca fui uma pessoa de investir em amizades, e que hoje poderia ter mais amigas se não as tivesse magoado com minha ausência... Falar disso me fez voltar no tempo e me deixou com uma sensação tão estranha. Será que existe algo guardadinho aí? Não sei... Parece que sim, parece que sem querer cheguei em algo mais delicado. O que será que vou descobrir ainda sobre mim? Será que quero? Será que tenho medo? Não sei...

Descobrir-se é bom ou difícil? Os dois?

É isso... Um dia dou um retorno deste post.

Abraços!

11 comentários:

  1. Nossa, que post delicado.
    Muitas vezes fico pensando: se a mente é nossa, o corpo é nosso e nós mesmos somos as únicas pessoas que vivenciaram cada segundo da nossa própria vida, então porque nos conhecemos tão pouco?

    Conheço muitas pessoas que evitam procurar um psicólogo justamente por não terem coragem de conhecer a olho nú a sua própria existência, seus defeitos, falhas e limitações.

    Por isso considero você Lis como uma mulher corajosa que não se conforma com seus sentimentos ruins. Você vai a luta em busca de auto conhecimento e batalha para ser mais feliz de verdade, de dentro pra fora.

    Essa sua coragem demonstra o quanto é capaz de superar todas as angústias que sentiu ao ouvir certas verdades sobre você mesma.

    Quem dera se todos nós tivéssemos condições financeiras para pagar uma pessoa que estudou para nos ajudar, chegando bem ali nas feridas e nos pontos fracos para nos ajudar a evoluir e vivermos melhor.

    Sinta-se privilegiada.

    Entendo seu incômodo ao ouvir tudo aquilo, mas tudo isso servirá para você não falhar mais nos mesmos pontos.

    Essa linha cognitivo-comportamental é uma das minhas preferidas. Acredito que mudando certas maneiras de agir e reagir ao mundo, podemos nos beneficiar e viver melhor.

    Ah, também vou atrás deste livro que você citou aqui, deve ser ótimo!!

    Um beijo minha querida e continue no caminho do auto-conhecimento. Se você não o fizer, ninguém o fará por você.

    ps.: li um parágrafo e fiquei com uma dúvida. Nesta parte que você escreveu: "Sempre saí das sensações mais leve..." - não seria: "Sempre saí das SESSÕES mais leve..." ?

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  2. É, tem coisas que realmente ainda não estamos preparados, ou não queremos ouvir...é preciso muito cuidado e delicadeza nas sessões para não mexermos em coisas que ainda não é o momento!
    Tomara que essa sessão traga muita reflexão e que vc se descubra cada vez mais.
    acho que vale a pena falar do seu desconforto para a terapeuta!
    bj

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  3. Lis! Eu tenho muita vontade de fazer terapia! Eu sou super ansiosa rsrs Tb quero me conhecer mais. E entendo o que vc quer dizer, algumas coisas sobre nós mesmos, que nunca tinhamos parado pra pensar, quando reveladas nos deixam desconcertados.. Enfim. Amei o post! Continua escrevendo.
    Bjo

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  4. É Lis, se descobrir é uma tarefa boa e difícil mas dizem que quanto mais difícil uma experiência, maior a recompensa final.
    Acho que essa sua reação ao feedback da terapia é natural pois é mais fácil aguentar o que falamos do que a resposta quanto ao que significa.
    Fique bem, leve e simples ;)

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  5. As verdades nem sempre são bonitas, nem sempre são aquilo que desejamos ouvir, mas precisamos, isso é certo.

    Acho que deveria contar para ela que sentiu esse desconforto porque, afinal, era até uma reação esperada.

    Um beijo, fica bem.

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  6. Adorei! eu fiz terapia a muito muito tempo, séculos atrás, até que minha terapeuta mudou e eu não me adaptei as novas.

    Mas aprendi muita coisa e uma delas é que tudo o que ouvimos ou vemos principalmente do outro e não gostamos, é justamente onde temos que nos aperfeiçoar.

    Eu fui uma amiga terrivel, era arrogante, prepotente e determinada, quem quizesse ficar por perto que me seguisse nunca esperei por ninguém... quando constatei isso me senti um monstro, mas depois fui mais longe e fui descobrindo que eu me defendia desta maneira não me permitia ser machucada de novo, e também não deixava ninguém se machucar... e pasme, eu sempre tive muitas amigas (que eu não entendia o motivo...agora entendo....rsrs)

    O bom desse confronto é que você agora vê o que ela falou e vai analisar sozinha os vários motivos que te levaram a essa constatação, mas lembre sempre de não se cobrar, todos precisam ser perdoados, e normalmente a gente se cobra de mais. O melhor começo é o Perdão, perdoar a nós mesmos.
    Abraços

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  7. Querida!
    Como não sei se vou conseguir blogar amanhã, já quero adiantar meus parabéns a você e dizer que mesmo nos conhecendo apenas através dos posts (pelo menos por enquanto né?!) já sinto um carinho enorme por você. Conte sempre comigo e saiba que temos muitas coisas em comum, principalmente algumas questões emocionais pendentes. Por isso adoro vir aqui, me identifico muito com tudo que escreve.
    Um beijo com muito carinho e muitas felicidades! :)

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  8. Olá. Cheguei aqui para retribuir sua visita em meu blog e me deparo com uma sessao terapeutica!!! Que bom.
    gostaria de deixar algumas palavras. Acho muito interessante pessoas que se inquietam na vida para buscar saber mais sobre os porques da vida e sobre elas mesmas. Segundo fazer terapia é algo que nao é fácil, requer investimento, principalmente de energia. Desejo a vc boa sorte, nesta longa viagem. Bjs e seja sempre bem vinda lá no blog.

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  9. Lis, sei que é bem difícil ouvir "certas coisas" sobre nós mesmos, não sei o que sua terapeuta falou, mas pode ter certeza que tudo que disse foi somente pensando em te ajudar, fazer você se auto-conhecer e refletir sobre sua vida até agora...
    Mas não se cobre tanto, o que passou, passou, tire uma lição do passado : não repita possíveis erros no futuro e presente.

    Boa sorte para vc...bjs

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  10. Lis,a cada dia (post) vejo você crescendo.
    "Descobrir-se é bom ou difícil? Os dois?" Vou tentar responder, nunca fiz terapia mas sempre recomendo, rs... mas sempre pensei muito e reflexão sempre fez parte da minha vida. Hoje com mais de 50, eu digo descobrir-se é muito difícil e sofrido, mas é muito bom. A sensação de desconforto é inerente ao auto-conhecimeto e quando é dito em voz alta dói, mas quando a gente usa esse desconforto para refletir a gente cresce.
    bjs carinhosos
    Jussara

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  11. Lis, comecei a fazer terapia em 2008 quando estava no meu limite, eu estava literalmente perdida! foi excelente pra mim. Aconteceu muita coisa, recebi alta, mas voltei algumas vezes e na verdade, queria muito voltar de vez, sinto que preciso muito, sobretudo nesta fase de mudanças: mudei tbm de cidade, emprego, de vida!Agora tenho namorado e os problemas dele se misturam aos meus...
    O problema é que minha terapeuta ficou na minha cidade e estou com reistência a procurar outra na nova cidade, até pq não tenho referências...e penso: falar tudo denovo, me abrir e falar dos meus defeitos e medos pra mais uma pessoa? ai, não tem sido fácil...nem consigo mais 'desabafar' escrevendo como fazia antes...meu blog anda praticamente abandonado e eu junto a ele...aff....foi mal,te fiz de terapeuta. Mas é que acho que vc pode me entender, acho que pq te entendo...bjos

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